Antes de mais nada, quero agradecer ao meu amigo querido, João, por essa oportunidade de escrever aqui no blog e tentar atingir os corações dos leitores com um assunto que a maioria das pessoas precisam estar sempre refletindo: a Vida!!!
Esses dias eu vi uma frase no Twitter que me fez pensar bastante: Dando um F5 na vida!!! Fiquei tentando entender o que seria isso, ou como seria seria isso??? Sei que dar um F5 no computador, significa ATUALIZAR, então fazer um F5 na vida, seria mudar de rumo? Repaginar? Aprender coisas novas??? Difícil ter certeza!!!
Poderia ter perguntado ao autor da frase, mas perderia a graça, porque na verdade, não importava naquele momento, o que ele quis dizer com isso, mas a reflexão que aconteceu dentro de mim depois da frase.
Sinto que dar um F5 na vida de vez em quando é fundamental!!! E tenho certeza que para que isso aconteça é necessário um auto conhecimento muito bom! Um olhar para dentro indispensável.
É difícil dar um F5 na vida!!! Deixar velhos hábitos, vícios, encarar os problemas e as dificuldades com outro olhar; quebrar paradigmas; reestruturar pensamentos!!! Mudanças... hum... difíceis mudanças...
Eu aposto que a maioria de nós já pensou em dar um F5 na vida, pelo menos um milhão de vezes, mas só conseguiu duas ou três dessas... RS... Fala sério!!! Quem diante da tela do computador, escrevendo algo, postando uma foto, que de repente vendo tudo travado e precisando ATUALIZAR, não ficou irado e até mesmo desistiu do que estava fazendo? Não seria diferente com a vida!
Quantas pessoas entram em um curso na faculdade e percebendo que não era bem o que queriam, desistiram e nunca mais fizeram outro curso; quem diante de um amor não correspondido se viu sofrendo a toa e resolveu virar a página e disse nunca mais querer se
apaixonar? A todo o momento estamos vivendo coisas que nos fazem pensar em dar um F5 na vida, mas a responsabilidade dessa escolha, as consequencias que ela traz, faz com que cada um dia nós deixamos o F5 pra depois.
Até que um dia, nos vemos preso ao passado, acorrentado em pessoas ruins, vivendo situações que não valem a pena, dependentes de pai e mãe, ou de aprovação de esposa e filhos... e então, F5. Mudamos de emprego, separamos, fazemos aquela tão sonhada faculdade, encontramos um amor verdadeiro... e vida nova!!! E assim a vida segue!!! Mas, não pensa que um F5 só basta, porque não basta não! Mais tarde, em um outro momento a vida vai exigir de nós mais um F5, e teremos as mesmas resistências para fazê-lo, ou não! Vai depender de cada um de nós!
Algumas pessoas tem uma facilidade enorme de dar F5 na vida. Trocam de estilo, de amigos, de vida, como um estalar dos dedos!!! Não criam raízes e nem se dispõem as relações intensas e profunda!!! Sei lá, também não sei se isso é bom!!! Saudável!!!
Acredito que tem hora certa pra dar um F5 na vida e nossos corações sabem muito bem qual é!!! Só temos que estar bem atentos para ouvi-lo!!! Use a sua intuição e F5!!! Abraços!!!
Danielle Cristina Ferrarezi Barboza
Psicóloga Especialista em Gestão de Pessoas
http://daniellepsicorienta.blogspot.com/
www.psicorienta.com.br
http://twitter.com/Daniellecfb
http://twitter.com/psicorienta
ó ja vou avisando! nao tenho pretensões literarias. se eu achar interessante incluo por aqui... se você quiser considere se convidado(a). Amigos são bem vindos!!
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Entre o olhar e o sorriso
Um olhar que observa o vento e o repouso dos muitos “ais” passados. Um coração imaginado costurado, remendado e reconstruído sente no vento um cheiro de sorriso novo.
O olhar de longe percebe no alvo claro a indizível ternura a matéria nobre do querer.
Então o coração dito cheio parece copo vazio à procura de água, água proibida, água que vem da boca de mel, inebriante, sagrada, partilhável.
Por sobreviver aos invernos de tantos danos, tantas dúvidas, denúncias e medos, a claridade honrada do sorriso fez o olhar palpitar em graça e força. E toda oferta duplicada e vulcânica do coração veio à tona querendo corpo livre, pois a alma já é toda contradição.
O olhar desprende. O sorriso flui. A paixão acontece, assim, sem hora marcada, sem previsão, num banho gradual, dual, e abundante dos sentidos postos à prova.
A surpresa do olhar é perceber que pode sim... aprender com o sorriso, ensinar com o olhar... desvendar as partes mais antigas da alegria dupla e densa mais uma vez sentindo-se “menino”.
Juscélia Sousa
sábado, 9 de abril de 2011
Um dia de um abril sem esperança...
Eu recebi esse mail da Karim, (@karim_kavier) esta mulher excepcional pela qual eu sinto um misto de admiração e gratidão.
Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu..
meu dia foi assim..
divido com você minhas reflexões...
@karim_xavier
Hoje quando acordei, havia sol, coisa não muito comum em minha cidade...
Solzinho gostoso, daqueles que aquece carinhosamente...
Mas eu me sentia gelada. Nada aquecia, nada mudava a sensação gélida. Me dei conta: Acordei sentindo frio na alma...
Olhei pra mim e me dei conta dos efeitos das noticias de 7 de abril no Rio de Janeiro , realengo.
Uma musica tranqüila insistia em ser cantada em minha mente: "meu pequeno cachoeiro, vim pro Rio de Janeiro pra voltar e não voltei..." como que buscando um alento para o frio gélido que me abraçava.
Me dei conta da frase que retumbava " o que acontece no mundo???"
Somos brasileiros, desabituados a tragédias e calamidades da natureza (ou éramos.. ou anda, quem sabe, educados para ficarmos alheios à elas... ainda não sei...)
As frases insistem: que sobreviverá a tanta violência??
As frases insistem: que sobreviverá a tanta violência??
As perguntas ressoam... como foi que ninguém viu este menino, hoje monstro, isolar-se, recriar-se como ser capaz de tamanha monstruosidade?
Como estamos sendo pais, professores, agentes sociais de transformação???O que foi que perdemos no meio do caminho???
Além disso, como estamos sendo vizinhos, amigos, participes de comunidades??
Quando foi que a invisibilidade social passou a fazer parte da vida, como se fosse natural??
Quanto mais penso, mais angustia sinto, mais gélida fica minha alma...
Como mãe, não consigo colocar-me no lugar destes pais sem sentir uma dor que é maior que todas as dores juntas, nem sem sentir um desespero e tamanha impotência que também são maiores que todos os desesperos juntos...
Não há o que dizer, não há o que fazer, não há grito que consiga expressar ou tirar de dentro o que se sente...
Como profissional, vislumbro a longo prazo, a possibilidade do viver com o que restar , da melhor maneira possível, com toda a dor e angustia subjacentes que irão os acompanhar pelo resto da vida... Vislumbro a possibilidade de usar a enorme energia da dor em fonte de transformação social...Mas em alguns momentos, hoje, eu duvidei disso...
Como mãe e profissional me pergunto onde foi que nos perdemos? O que foi que esquecemos no meio da caminhada?? Esquecemos que o cuidar é parte do papel de pais? Esquecemos que como educadores precisamos perceber, compreender, olhar para o educando??
Como colegas, esquecemos o respeito, a compreensão, o afeto??
Como seres humanos esquecemos o que é ser gente, ou nos esquecemos que o outro também é gente??
Minha alma continua gélida...
Pela primeira vez em minha vida, temi pelo futuro dos seres humanos...
Pela primeira vez na vida temi por meus filhos... e pelos seus.
Pela primeira vez na vida, nao consegui respirar e me refazer de esperanças para amanha...
Minha alma ainda esta gélida O calor nao me aqueceu...
Ainda assim...Ainda bem que amanha é um novo dia de abril...
sábado, 4 de dezembro de 2010
ESSÊNCIA
Por que eu tenho animal de estimação e você não? Por que sou de um partido político e você de outro? Com certeza somos diferentes na forma de pensar, sentir, agir e estar no mundo.
Os seres humanos têm diversas características e estão sempre mudando, isso às vezes, causa sofrimento por cobranças internas a respeito do próprio comportamento e o de seu marido, vizinho, colega de trabalho e demais pessoas ou grupos. Para que haja mais aceitação e menos culpas, vou tentar mostrar um pouco do que existe na diferença entre as pessoas.
Para começar, vamos definir a palavra ESSÊNCIA, que no mini Aurélio, encontra-se assim:
1.Substância
2.Óleo fino e aromático extraído de certos vegetais.
Quando pegamos, por exemplo, uma amora e esmagamos com as mãos, ela vai soltar uma substância vermelha que é característica própria dela. E se continuarmos experimentando a fruta, vamos perceber o gosto azedo/adocicado variando com a sua coloração. Está na natureza dessa pequena fruta a diferenciação na forma de conservação e uso, pois ela é mais vendida na fabricação de geléia e chega à nossa mesa para proporcionar sabor especial. Há os que não gostam, mas a vida é assim, cheia de contradições que temperam ou destemperam as relações humanas.
Cada pessoa tem a sua essência, assim como a amora conserva o vermelho/azedo/adocicado como características. O homem também é assim, cada um tem sua preferência, uns gostam de loiras e outros de morenas. Uns têm animais de estimação, outros não querem nem saber de chegar perto de bichos, apesar de gostarem deles em seu habitat natural e saber de sua importância no ecossistema.
E qual é o pecado em ser diferente? Qual a culpa? É justamente nas diferenças que os seres humanos são mais ricos e abrangentes. Há uma variedade de conhecimentos nas desigualdades entre os homens. Há escritores, leitores, poetas, músicos, comentaristas, humoristas e uma infinidade de campos de atuação em que as pessoas se expressam. Quando não gostamos de uma coisa inclinamos para outras diferentes, mas o importante nisso tudo é enriquecer com a troca de saberes e interesses que são os mais variados possíveis. É reconhecer a importância da diversificação e aproveitar para aprender.
A essência da pessoa precisa ser reconhecida e respeitada como algo próprio dela, nada de querer mudar características pessoais, mas refletir sobre elas e crescer. Saímos todos lucrando com essa variedade de comportamentos, sentimentos, emoções dos seres humanos que constituem uma riqueza a explorar. A essência é o que o homem tem de melhor para construir um mundo mais rico e de trocas permanentes.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
PACIENTE 38545
Texto escrito pela minha amiga e psicologa Karim... Obrigado Doutora.
Como pessoa, sempre gostei de gente e sempre admirei a capacidade que o ser humano tem de levantar depois de uma queda, sacudir a poeira e dar a volta por cima.
Como psicoterapeuta, aprendi a buscar junto com meus pacientes esta possibilidade em todas as situações de vida e sempre me surpreendo. É absolutamente emocionante ver alguém de fato levantar e seguir...
Algumas historias são mais marcantes que outras e quando me coloco no lugar de um paciente, me pergunto: como eu lidaria com isso??
Vou contar pra vocês uma destas histórias marcantes, sobre alguém que sabe que é dele que falo e que me autoriza a assim fazê-lo.
Me lembro que ele se denominava “paciente 38545” . Era um homem que fora muito bem sucedido profissionalmente, cercado de amigos que gostavam de iates, pescarias e churrascos em auto mar; casado há 20 anos , família estável, casa própria, estabilidade... tudo o que se pode desejar numa metade de vida.
Do dia para a noite, perdeu tudo: posses, casamento, amigos e os filhos se distanciaram.: João sem chão: da riqueza à miséria, da casa confortável a um quarto emprestado, da vida repleta de amigos à solidão... sim, João sem chão.
Num dia desses que ate o sol parece cinza, recebeu uma ligação do filho convidando-o para uma atividade na qual gostaria de ver seu pai. João alegria: poderia retomar seu papel de pai.Uma luz no fim do túnel.
O que não esperava era “o outro” em seu lugar. De novo João sem chão, sentindo-se retaliado, preterido, abandonado...
João sem intenção mas de forte decisão toma seus remédios para apagar, não para morrer. Mas é mal interpretado por sua voz pastosa ao telefone dizendo: não vou...pois hoje prefiro morrer.
O que aconteceu então parece cena de filme de ação: Acordado de seu torpor vê luzes, sirenes , policias e olhos, muitos olhos: filhos, vizinhos, sobrinhos, curiosos, transeuntes. Levado ao hospital de camburão por tentativa de suicídio com 3 comprimidos.: João aviltado, envergonhado,, João sem ação...
No hospital, o obvio: não havia nada errado. Avaliado, liberado, orientado para “não chamar atenção desta forma”... mandado embora.
De pijama e pé no chão, vagando pelas ruas num dia chuvoso e cinza: João desonrado.... Tomado de dor, vai atrás daquela que considera a causadora desta história de terror e encontra de novo viaturas de polícia à sua espera, giroflex, sirenes e uma cena digna de cinema/ação. Mas aparece então, de dentro dele, um João ação, movido pela dor que o engole e o cega. Quebra a porta de vidro pra se fazer ouvir e querer compreender desesperadamente o que esta acontecendo, pois tudo é surreal.
Sem resposta, algemado, agredido, ferido por dentro e por fora: João pura dor...levado à força a um lugar, amanssado por um sossega leão qualquer.: João sem vida, sem honra...
Uma vez mais a dor o engole e ele então, esmurra aquela a quem ele atribui tanta injustiça e tamanha dor. Ah... Até hoje João sem honra, cansado me diz que esta atitude e só esta ele queria apagar. Não queria ter feito e Eu acredito... João arrependido e cheio de pesar.
Desespero, desonra, vazio... foi levado ao hospício, pois não há outro nome que descreva aquele lugar de manutenção da loucura...João Louco: A sensatez dentro da insensatez enlouquece, entristece, amortece... João sem esperança...
João derrotado é convidado a pintar e faz então, uma linda borboleta. Ainda hoje não sabe o resultado daquelas análises psicológicas todas, mas eu gostaria de contar a ele (pois não sei se um dia eu contei) que a borboleta é o símbolo da transformação, da morte de algo que pode se transformar em outra coisa...
Seu filho, anjo da guarda sem asas, resgatou João tristeza deste lugar.
Ele levou em sua bagagem vergonha, desonra, incompreensão, mágoa e dor, Vergonha... muita vergonha.
Me disse um dia que queria morrer e eu nunca acreditei. Mas sempre acreditei que ele gostaria de se ver naquela borboleta colorida. E eu o conheci lagarta. Então, algo precisava morrer para renascer. Percorremos um caminho , longo, as vezes escuro, outras repleto de possibilidades.
Hoje, João feliz: Vida simples, interiorana, recasado com alguém que cuida e sabe cuidar, que ama e que se deixa amar. Reencontrou seus filhos, daquele jeito que é possível encontrar... Participou da formatura, do casamento e até dividiu o espaço com “o outro”. E pasmem... sorriu e conversou com a ex...
João ainda com medo, se questiona sobre sua vida. Ainda tem magoas, ainda tem temores... Assim como todos nós....
Era 38545
É João...
E eu, se voce me perguntasse como eu o definiria, eu diria:
Ele é esta musica:
Chorei
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
João coração, nesta estrada quem tem que te agradecer sou eu....
Abração..
Karim Xavier... twitter @karim_xavier mail karim.xavier2@gmail.com
domingo, 14 de novembro de 2010
O Tempo
A meu pedido a minha nova amiga JUSCÉLIA SOUSA amiga que encontrei la no twitter como @jusceliasousa e dona do lindo blog PEDACINHOS...
http://jusasousa.blogspot.com/ Blog que eu recomendo a todos, escreveu gentilmente esse texto para o Cotidiano... Obrigado!!
Ah, o tempo. Tempo de pessoas tão longe com vontade de estar perto.
Tempo de gente que ama as máquinas por medo de amar gente.
Gente que quer carinho mais esconde o afeto.
Por que medo?
Gente que quer sentir e não permite.
Sem tempo, sem tempo, sem tempo...
O que foi feito do tempo da prosa, do café fresquinho?
Tempo do banho no rio e da cozinhadinha.
Tempo de criança e de esperança.
Tempo que não se perde no tempo.
Hoje temos sorrisos, abraços e gestos virtuais, quanta imaginação, só imaginação. Onde andas, sensações?
Não mais abraços,
Não mais o cheiro da voz de perto.
Não mais o rio, só esperança.
Por quê?
Falta tempo. Precisamos trabalhar, buscar, interagir, conhecer, superar... possuir.
Por quê?
Para alimentar a distância dos toques, das falas de final de semana, das prosas na padaria, do boa tarde e do bom dia.
Nesta evolução da nostalgia, a amizade ficando vazia, quero gente que goste de gente para sentir e cuidar...
Porque sou assim.
Sou gente que ama e quero estar perto.
Não tenho medo de gente.
Não escondo afeto.
Deixo sentir...
Gosto de café com prosa.
Banho de rio. Cozinhar sendo criança, tenho esperança.
Gosto de perder tempo sendo apenas “eu”.
Gosto de sorriso estampados, abraço apertado, voz no ouvido, sentir arrepio.
Gosto de amizades longas, pegar na mão, olhar nos olhos.
Caminhar lado a lado, largado ou abraçado.
Estando aqui escrevendo sobre o tempo em momento virtual
descobri a falta que tudo isso me faz...
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Senhor Dito Paulista!!
Bem, hoje é Domingo e estou aqui pensando em um novo texto para o meu blog... tenho conciencia que não sou muito bom nessa coisa de escrever, e ainda mais que num momento de transbordamento de emoções por ocasião do casamento do meu filho, eu consegui passar para o papel, ou melhor para a tela? Há sei la!! Consegui escrever e expressar o que estava sentindo com clareza, entendi que a responsabilidade aumentou... afinal eu não posso ser um homem de um texto só né? E confesso também que os momentos vividos por ocasião do casamento foram tão marcantes que eu gostaria que se perpetuassem, e sei que no momento da nova postagem aquele acontecimento ficara em segundo plano, pelo menos no blog né, já que na minha mente permanece e a acho que ficara tudo muito vivo por muito tempo. Já pensaram que tem coisas que acontecem na vida da gente que não queremos de maneira alguma que fiquem pra traz? Mas a vida não para de nos trazer coisas novas e sempre nos chamando as falas e nos dando banho de realidade. Então pensei porque não escrever sobre o meu sogro que faleceu com 102 anos?...Alguém ai se habilita a viver tanto? Mas não falo em apenas se manter vivo esperando o tempo passar, e sim em viver de verdade, tendo uma infância legal, uma adolescência alegre, uma adultice digna de ser lembrada e servir como referencia para casais que já não ligam mais para os valores que foram tão importantes para ele. Diversas vezes testemunhei um extremo carinho dele para com a minha sogra, mesmo ele já com 100 anos, tentava cuidar da esposa, se ela adoecia ele ficava inquieto, ficava a olhando como que pensando em uma maneira de resolver o problema de saúde que na maioria das vezes nem era tão grave, mas o Sr Dito Paulista como era conhecido por aqui demonstrava claramente que se pudesse absorveria qualquer coisa ou qualquer dor para preservar a sua mulher... Também testemunhei vezes que silenciosamente correram lágrimas em seus olhos talvez motivadas pela conciencia de que a vida já estava lhe mostrando que a separação definitiva, pelo menos no plano terreno já estava próximo. Convivi estreitamente com ele em seus últimos dias e juro que me espantou o tanto que este homem se preocupava com a “amada” pois entre um delírio e outro quando em momentos de conciencia ele falava repetidas vezes: Por favor cuidem da Maria... Cuidem das coisas da Maria... E assim foi até o seu ultimo suspiro, me parecendo que ele já não se importava consigo e sim com quem ele iria deixar seguindo pela vida. Contei isso pra deixar claro que eu gostaria de ser como ele. Viver com dignidade por 102 anos eu posso garantir que é pra pessoas especialíssimas.
Vá com Deus Sr Dito Paulista!! Nós ficaremos por aqui tentando imita-lo.
1909 - 2010
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